Notícia

Por Mercy Soares, integrante do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES) 

O mês de agosto, dedicado às vocações, é um tempo especial para reconhecer e valorizar o papel das mulheres na Amazônia, que com sua força, espiritualidade e compromisso têm fortalecido a missão da Igreja e transformado a vida das comunidades. 

Na região amazônica, a maioria do laicato é formada por mulheres. Elas assumem, no cotidiano, responsabilidades fundamentais na liderança comunitária e pastoral, animando a fé, cuidando das famílias e articulando iniciativas em defesa da vida e da justiça. 

Entre as experiências que revelam essa força feminina estão os encontros de quintais do Comitê REPAM Norte I, que chegam à quarta edição em 2025. Nestes espaços de partilha e espiritualidade, as mulheres se reúnem para cuidar de si, fortalecer a autoestima e ampliar sua liderança comunitária. O autocuidado, vivido de forma coletiva, torna-se caminho de fortalecimento para o serviço pastoral e para a atuação em temas como segurança alimentar, sustentabilidade e direitos das mulheres. 

“As mulheres amazônicas, ou ‘mazonidas’, têm sido verdadeiras líderes e missionárias em suas comunidades. Aqui, a grande maioria do laicato são mulheres, que trabalham incansavelmente para promover justiça, igualdade e paz”, afirma Mercy. 

Outro exemplo é o trabalho realizado pelo SARES, que aposta na formação comunitária e integral das mulheres. Através de atividades que unem espiritualidade, autocuidado e práticas sustentáveis, promove-se o empoderamento feminino e o fortalecimento das comunidades amazônicas, que encontram nessas lideranças caminhos de esperança e solidariedade. 

Para Mercy, a espiritualidade das mulheres amazônicas tem uma dimensão profundamente ligada à natureza e ao cuidado com a vida: 

“Nós nos retiramos alguns dias para sentir os cheiros, os aromas e a proteção da floresta. Essa experiência nos abençoa e nos dá força para tecer juntas a esperança. É árduo, é trabalhoso, mas é necessário. O trabalho do SARES tem contribuído para a formação integral das mulheres e para a construção de comunidades mais justas e solidárias.” 

No Maranhão, os núcleos do CEBI têm contribuído para a formação bíblica e espiritual das mulheres, oferecendo instrumentos para que elas se tornem protagonistas na missão da Igreja e na defesa dos territórios. Essa espiritualidade enraizada no cotidiano e na Palavra fortalece a resistência diante dos desafios sociais e ambientais. 

As mulheres amazônicas, verdadeiras guardiãs da vida, têm mostrado que a vocação não se limita a um chamado individual, mas se expressa em uma missão coletiva: tecer redes de cuidado, esperança e transformação. Sua liderança inspira a Igreja a viver a sinodalidade, valorizando a escuta, a participação e a partilha. 

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário