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Na Semana do Migrante, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) reafirma seu compromisso com a defesa da vida, da dignidade humana e dos direitos das pessoas em situação de mobilidade na Amazônia. Em um contexto marcado pelo aumento dos fluxos migratórios, é fundamental ampliar a conscientização sobre as múltiplas violências que atingem migrantes, refugiados e povos indígenas, entre elas o tráfico de pessoas.

O documentário Marcas da Fronteira – O Tráfico de Pessoas Existe e é Visível, realizado pela Comissão Especial Episcopal de Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB (CEETH-CNBB), lança luz sobre essa grave violação de direitos na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, em Roraima.

Com imagens e entrevistas realizadas em Boa Vista, Bonfim e Pacaraima, o filme revela como a crise migratória, a desigualdade social e a expansão de atividades ilícitas, como o garimpo ilegal, criam um ambiente favorável para a exploração de pessoas, especialmente mulheres, crianças, migrantes e povos indígenas.

Ao acompanhar a missão da Comissão Episcopal, o documentário denuncia situações de exploração sexual, trabalho análogo à escravidão e outras violações de direitos humanos que afetam populações em situação de vulnerabilidade, evidenciando a insuficiência das respostas estatais e destacando o papel da Igreja na escuta, no acolhimento e na proteção das vítimas.

A professora e pesquisadora Márcia Maria de Oliveira alerta para as estratégias utilizadas pelas redes criminosas para ocultar a exploração. “No geral, as mulheres vão com a promessa de ser cozinheiras, mas sabemos que ‘cozinheira’ é um código do garimpo que significa que a pessoa está sendo explorada sexualmente. É uma forma de aliviar essa situação para a família encarar, sem problematizar e denunciar.”

Dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo de Roraima e membro da Comissão Especial Episcopal para o Enfrentamento ao Tráfico Humano e presidente da REPAM, destaca que o tráfico de pessoas está diretamente ligado a outras práticas criminosas presentes na Amazônia e exige uma resposta articulada entre Igreja, sociedade civil e poder público. Para ele, é fundamental fortalecer a escuta e a presença junto às populações vulnerabilizadas, rompendo o silêncio que encobre essa realidade.

O documentário reforça uma compreensão já apresentada no caderno Nas Trilhas do Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, da CNBB: o tráfico humano é uma das expressões contemporâneas da escravidão moderna e tem suas raízes em problemas estruturais, como a pobreza, a desigualdade social, o racismo, o machismo e a expulsão de comunidades de seus territórios.

Segundo a publicação, dados da Organização das Nações Unidas indicam que cerca de 50 milhões de pessoas vivem em situação de escravidão moderna no mundo. O tráfico de pessoas é atualmente o terceiro maior comércio ilícito global, atrás apenas do tráfico de drogas e do tráfico de armas.

A cartilha destaca ainda que migrantes e refugiados estão entre os grupos mais vulneráveis às redes de exploração, sobretudo quando enfrentam dificuldades de acesso a direitos, trabalho digno e proteção social. O enfrentamento a esse crime exige ações integradas de prevenção, acolhimento, denúncia e incidência política, fortalecendo redes de proteção e promovendo uma cultura do cuidado.

Como recorda o Papa Francisco, citado na publicação: “O tráfico de seres humanos é uma ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo.”

Na Semana do Migrante, a REPAM-Brasil convida comunidades, pastorais, organizações e toda a sociedade a aprofundarem o compromisso com a acolhida, a proteção e a promoção dos direitos das pessoas migrantes. Em uma Amazônia marcada por fronteiras geográficas e culturais, cuidar de quem migra é fortalecer a esperança e reafirmar que nenhuma pessoa pode ser tratada como mercadoria.

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