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O renomado climatologista Carlos A. Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, apresentou no dia 7 de maio de 2025, em Brasília, um panorama contundente sobre o avanço da emergência climática. A palestra, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, reuniu dados inéditos e evidências alarmantes de que o planeta ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1,5°C de aquecimento médio global — limite crítico estabelecido pelo Acordo de Paris. 

 De forma didática e com base nos relatórios mais recentes do IPCC e artigos científicos internacionais, Nobre destacou que 2024 foi o ano mais quente da história, com os primeiros meses de 2025 já ultrapassando recordes sucessivos de temperatura. Os oceanos atingiram níveis inéditos de calor, o vapor d’água na atmosfera chegou a um pico histórico e eventos extremos se intensificaram ao redor do mundo, incluindo secas severas na Amazônia e ondas de calor letais na Europa e no Brasil. 

Além de apresentar os fatores que explicam esse aquecimento acelerado — como a redução de aerossóis, mudanças na cobertura de nuvens, o fenômeno El Niño e a erupção do vulcão Tonga —, Nobre chamou a atenção para os “tipping points”, ou pontos de não retorno, que ameaçam sistemas vitais como os corais, o permafrost, as calotas polares e a própria floresta amazônica. 

“O tempo da emergência climática não é o futuro. É agora. E cada fração de grau que deixarmos de aquecer pode representar milhões de vidas poupadas”, afirmou Nobre, ressaltando que a Amazônia já mostra sinais preocupantes de savanização, e o desmatamento combinado às mudanças do clima pode levar a um colapso irreversível do bioma em 30 a 50 anos. 

A apresentação também abordou os desafios específicos do Brasil para alcançar a neutralidade climática. Diferente da média global, onde a energia e a indústria lideram as emissões, o Brasil concentra mais de 70% de suas emissões no uso da terra e na agropecuária. Carlos Nobre defendeu uma transição justa e urgente, com foco na restauração florestal, energia limpa e agropecuária de baixo carbono. 

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