Notícia

A REPAM-Brasil reafirma seu apoio à realização da COP 30 em Belém, somando-se à voz dos povos do campo, das florestas e das águas, indígenas e quilombolas, que defendem a importância de trazer o maior debate global sobre mudanças climáticas para o coração da Amazônia. Vivendo cotidianamente os impactos da crise climática, como secas prolongadas, perdas agrícolas e dificuldades de mobilidade e educação, reafirmamos que é fundamental que o mundo veja de perto a realidade amazônica, enfrente seus desafios e escute suas soluções. Belém está preparada para receber este encontro, mostrando ao planeta a urgência de proteger o clima e a vida na Amazônia.

Confira a carta na íntegra.

CARTA DOS POVOS DO CAMPO, FLORESTAS E ÁGUAS DA
AMAZÔNIA EM APOIO A BELÉM COMO SEDE DA COP 30
09 de agosto de 2025
Nós, os povos do campo, das florestas e das águas, indígenas e quilombolas, guardiões da biodiversidade e defensores do bem viver, queremos que a COP 30 aconteça na Amazônia e em Belém.
Temos assistido nos últimos dias, um movimento para a alteração da cidade sede da COP, inclusive com a proposição de que a mesma não ocorra na Amazônia. Diante deste movimento, manifestamos nosso apoio a cidade de Belém como sede da COP 30 e reafirmamos que após 29 edições da Conferência das Partes, passou da hora do mundo vir para dentro da Amazônia discutir o tema das mudanças climáticas.
Há desafios a serem superados, mas é fundamental que todos os países e os atores envolvidos na agenda socioambiental mundial, não se esquivem de ver a Amazônia de perto e de dialogar com os atores e com a população que aqui vive. Nosso povo já sente
os efeitos das mudanças do clima. Nossos rios já enfrentam secas que interferem diretamente na geração de renda da nossa população. Estudantes das nossas comunidades já lidam com redução do calendário escolar em função da redução das águas dos rios que também são nossas ruas. Nossas roças já enfrentam secas maiores, nossos plantios de culturas permanentes têm requerido ações significativas de irrigação.
Então não podemos aceitar, que mais uma vez, a maior conferência mundial sobre clima, não aconteça no nosso território. Temos sim muitas mazelas como a violência urbana e no campo, a pobreza, o racismo ambiental, a falta de infraestrutura, crimes ambientais, falta de saneamento e moradia, dentre outros, que são problemas reais, dados concretos que não podem ser invisibilizados, e sim enfrentados. Não é possível e nem desejado esconder a realidade numa COP da fantasia em gabinetes refrigerados distantes da população mais sofrida. Fazemos questão de mostrar os problemas de uma cidade amazônica que tem muito em comum com milhares de cidades do mundo atingidas pelas mudanças climáticas. Faremos as denúncias, protestos e críticas que são necessárias, mas estamos preparados para propor soluções.
Concordamos que os preços das hospedagens praticados por empresas da rede hoteleira não podem ser abusivos. Esperamos que as autoridades competentes envidem esforços para que hajam preços justos com um equilíbrio a esse respeito, como forma de garantir a participação de todas as nações no debate sobre o clima. Aliás, Belém recebe todo ano, durante o Círio de Nazaré, mais de 1 (um) milhão de pessoas a mais na cidade, o que revela o espírito hospitaleiro de nosso povo. Por isso é inverídica
a alegação de não ser possível receber um evento como a COP.
Sabemos que estão sendo feitos esforços para as soluções de infraestrutura que permitam a realização da COP, e isso deve significar a inclusão da população de nossa região, e sem esconder as contradições históricas da Amazônia e de suas cidades como a metrópole que é Belém.

Sigamos juntos e juntas na defesa da COP em Belém e pela defesa do Clima e da
Amazônia!!!

  1. Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
  2. Associação de Mulheres do Alto Pindorama – AMAP
  3. Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará –
    MALUNGU
  4. Casa 8 de março – Organização feminista do Tocantins
  5. Central dos Movimentos Populares – CMB
  6. Central Única dos Trabalhadores – CUT
  7. CNS conselho nacional das populações extrativista – Baixo Amazonas PA
  8. Comitê de Defesa da Vida Amazônica na Bacia do Rio Madeira
  9. Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS
  10. FASE – Solidariedade e Educação
  11. Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará – FEPIPA
  12. Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Acre – FETACRE.
  13. Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do
    Amazonas – FETAGRI Amazonas
  14. Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do
    Estado do Pará – FETAGRI Pará
  15. Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do
    Maranhão – FETAEMA
  16. Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado de
    Rondônia – FETRAGO
  17. Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado de
    Roraima – FETAG Roraima
  18. Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado
    do Tocantins – FETAET
  19. Federação dos Trabalhadores Empreendedores Rurais do Estado do Pará –
    FETERPA
  20. Fórum de Economia Solidária do Oeste do Pará
  21. Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP
  22. Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental
  23. Fórum PAES de Várzea do Baixo Amazonas
  24. Fundação Viver, Produzir e Preservar – FVPP
  25. Fundação Agrária do Tocantins – FATA
  26. Grupo de Trabalho infraestrutura e Justiça Socioambiental
  27. Grupo Carta de Belém
  28. Instituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra- IDARIS
  29. Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura familiar do Estado do
    Pará – IDESA
  30. Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – INDESA
  31. Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
  32. Instituto Madeira Vivo
  33. Motim Feminista – MRO/RN
  34. Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
  35. Movimento Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Côco Babaçu- MIQCB
  36. Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Pará
  37. Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense – MMNEPA
  38. Movimento Nacional de Direitos Humanos
  39. Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais
  40. Movimento Seres e Saberes da Amazônia
  41. Movimento Tapajó Vivo – MTV
  42. Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM
  43. Rede Mulher e Habitat da América latina e caribe – RMYH
  44. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Bragança
  45. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Santa Luzia do Pará
  46. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Irituia
  47. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Nova Esperança do Piriá
  48. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Viseu
  49. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Nova Timboteua
  50. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Salinópolis
  51. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Capanema.
  52. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Paragominas
  53. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Dom Elizeu
  54. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Augusto Corrêa
  55. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    São Domingos do Capim
  56. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Tracuateua
  57. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Alenquer
  58. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Santarém
  59. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Mojui dos Campos
  60. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Monte Alegre
  61. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Almerim
  62. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Prainha
  63. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Faro
  64. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Belterra
  65. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Oriximiná
  66. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Juruti
  67. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Óbidos
  68. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras
    Familiares de Curuá
  69. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de
    Maracanã
  70. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras
    Familiares de São Francisco
  71. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras
    Familiares de Santa Barbara
  72. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras
    Familiares de Marapanim
  73. Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras
    Familiares de Castanhal
  74. Sociedade Paraense de Direitos Humanos
  75. União Nacional por Moradia popular – UNMP

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