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A Igreja que peregrina na Amazônia viveu, neste sábado (31), um momento histórico e profundamente simbólico com a ordenação presbiteral de Djavan André da Silva, filho do povo Macuxi, na Diocese de Roraima. A celebração aconteceu na Catedral Cristo Redentor, em Boa Vista, reunindo fiéis de diversas comunidades urbanas, rurais e indígenas do estado.

Presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Pascoal Spengler, a missa contou com a presença de Dom Gonzalo Alfredo Ontiveros Vivas, bispo do Vicariato Apostólico de Caroní, na Venezuela, expressando o compromisso de uma Igreja sem fronteiras, em comunhão com os povos da Pan-Amazônia.

Um chamado que nasce do povo

Nascido na Comunidade Indígena Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Djavan traz para o ministério presbiteral a história, a espiritualidade e a cultura de seu povo. Sua vocação é fruto de uma caminhada comunitária, marcada pela fé simples, pela presença de catequistas e missionários e pela vivência eclesial no chão amazônico.

Durante a homilia, Dom Evaristo destacou que o presbítero é chamado a ser servo, cuidador e pastor, à imagem de Cristo Bom Pastor, que conhece suas ovelhas e dá a vida por elas. Ressaltou ainda que, no contexto amazônico, o ministério sacerdotal está profundamente ligado à defesa da vida, da terra, da dignidade dos povos indígenas, dos migrantes e dos mais pobres.

“O padre não é dono do rebanho, mas seu servidor. É chamado a anunciar esperança, consolar os que sofrem e manter viva a profecia diante das injustiças”, afirmou o bispo.

Fé que se encarna na cultura

A ordenação de Djavan André é também um sinal concreto de uma Igreja que reconhece e valoriza a diversidade cultural como lugar de revelação de Deus. Ao assumir o presbiterado, Djavan leva consigo a língua macuxi, os símbolos e os saberes ancestrais de seu povo, reafirmando que o Evangelho se encarna nas culturas e se expressa a partir delas.

Em sua fala, o novo padre destacou o desejo de exercer um ministério marcado pela escuta, pelo serviço e pela proximidade com o povo, construindo pontes entre culturas e fortalecendo uma Igreja cada vez mais fraterna, sinodal e comprometida com os territórios.

Igreja viva, vocações que florescem

A celebração foi marcada por ritos de profundo significado, como a Ladainha de Todos os Santos, a imposição das mãos, a unção com o Santo Crisma e a primeira concelebração eucarística do novo presbítero. Comunidades indígenas também prestaram homenagens, oferecendo símbolos de sua cultura como gesto de comunhão e gratidão.

Com a ordenação de Djavan André, a Diocese de Roraima celebra o florescimento das vocações indígenas e reafirma seu compromisso com uma Igreja amazônica, profética e encarnada, que caminha junto com os povos e defende a vida em todas as suas formas.

Inspirado pelo lema de ordenação — “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8) —, o novo presbítero inicia seu ministério na Área Missionária Santa Rosa de Lima, colocando-se a serviço do povo de Deus com simplicidade, alegria e fidelidade ao Evangelho.

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