Na sexta-feira (30), representantes dos povos indígenas participaram de uma reunião com integrantes do governo federal e do Ministério Público Federal para discutir a situação. O principal pedido apresentado pelas organizações é a revogação do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viabiliza a concessão de hidrovias e os processos de dragagem na região.
Para os povos do Tapajós, a dragagem — processo de remoção e escavação de sedimentos do fundo do rio — e a concessão das hidrovias representam mais do que uma disputa técnica ou jurídica. As comunidades alertam que o projeto ameaça a integridade do rio, a soberania alimentar, a preservação de sítios arqueológicos e a continuidade dos modos de vida tradicionais, profundamente ligados ao território e às águas.
Em solidariedade às mobilizações, organizações do sul do Pará, do Mato Grosso e de dimensão pan-amazônica divulgaram uma declaração conjunta alertando para os impactos socioambientais do avanço da rota da soja e das grandes infraestruturas de exportação. O documento destaca que o Decreto nº 12.600 acelera um ciclo de destruição já vivido em outros territórios, marcado por desmatamento, contaminação, violência e violação de direitos, e cobra do governo brasileiro a escuta dos povos afetados e o respeito às comunidades tradicionais .
A REPAM-Brasil, signatária da declaração, reafirma seu apoio às mobilizações dos povos do Tapajós e reforça a necessidade de soluções que priorizem a vida, os territórios vivos, a justiça socioambiental e o cuidado com a Casa Comum.

