Neste momento de celebração dos 50 anos da Comissão Pastoral da Terra (CPT), queremos refletir sobre a nossa missão, que sempre foi e sempre será uma presença. Uma presença de resistência e profecia junto aos povos da terra, dos territórios e das águas. A CPT não busca protagonismo, não quer ser o centro das atenções, mas sempre se coloca ao lado dos que mais necessitam: camponeses, camponesas, indígenas, quilombolas, pescadores e outros trabalhadores do campo e da floresta.
Ao longo desses 50 anos, a CPT tem sido uma presença solidária, somando forças com os povos que lutam para permanecer em seus territórios, preservar suas culturas e defender suas águas. A CPT não faz, ela acompanha aqueles que fazem. Não busca aparecer, mas está sempre lá, ao lado daqueles que estão na linha de frente da resistência.
Durante este Congresso, ouvimos relatos poderosos de trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil que, com o apoio da CPT, conseguiram vitórias importantes. Conseguimos resistir a tentativas de invasões de terras, proteger nossos territórios e defender nossas águas. Avançamos na prática da ecologia e da agroecologia, pois a CPT esteve presente, apoiando os movimentos e as lutas locais.
Ao longo dessas cinco décadas, aprendemos que o nosso papel é ser presença, resistência e profecia. Com humildade, continuamos a enfrentar os desafios da mesma forma que sempre fizemos: unindo forças com outras organizações da sociedade civil, com pastorais da Igreja e com aliados que compartilham o mesmo compromisso com a justiça social e ambiental.
Nosso caminho não é fácil. O capitalismo selvagem, que avança pelo agronegócio, pela mineração e pela monocultura, é um desafio constante. As chamadas promessas de progresso e desenvolvimento, frequentemente impostas por megaprojetos do governo, não trazem benefícios reais para os povos que já habitam a terra. Ao contrário, ameaçam destruir o que foi construído com tanto esforço e sacrifício ao longo dos anos.
O crédito de carbono, uma das grandes promessas do momento, é um exemplo claro de como interesses financeiros internacionais buscam explorar a Amazônia e seus povos, tentando nos convencer de que este é o caminho para a solução da crise climática. Mas sabemos que o crédito de carbono não é a solução. É preciso que a verdade seja dita: o que está por trás dessas iniciativas é a busca por lucro, enquanto os povos da Amazônia continuam sendo os verdadeiros guardiões da floresta.
A CPT continuará a sua luta. Vamos enfrentar os desafios com os recursos que conseguirmos, com o apoio das nossas bases, e com a nossa fé naqueles que lutam ao nosso lado. Sabemos que a nossa missão é clara: defender os povos do campo, das águas e da floresta. Romper cercas e construir um futuro em que todos possam viver com dignidade.
No caminho da justiça social e ambiental, a CPT não está sozinha. Somos uma grande rede de solidariedade, um movimento de resistência que só pode crescer e fortalecer a cada ano. Juntos, continuaremos a lutar pela terra, pelos territórios e pela vida. A terra pertence a Deus, e a missão de cuidar dela é de todos nós.

