No Território Quilombola Aldeia Velha, no Maranhão, mulheres das comunidades vêm fortalecendo seus laços de solidariedade, identidade e resistência por meio de oficinas de crochê e confecção de bonecas de pano. Realizada no Quilombo de Bica, a atividade vai além da geração de renda e se torna um espaço de valorização da ancestralidade e fortalecimento comunitário.

Segundo Emília Costa, integrante do território, as oficinas promovem o cuidado coletivo entre as mulheres e contribuem para o fortalecimento dos vínculos comunitários.
“As oficinas contribuem para além da geração de renda, fortalecendo os vínculos de cuidado de uma mulher com a outra. As atividades são realizadas coletivamente, o que ajuda a fortalecer a ancestralidade e a identidade quilombola”, destaca.
Além de possibilitar uma fonte de renda complementar para as famílias, a iniciativa fortalece a autonomia das mulheres e amplia sua participação nos processos comunitários. A produção artesanal torna-se também uma forma de preservar conhecimentos tradicionais e transmitir saberes entre gerações.
O Território Quilombola Aldeia Velha é composto por 12 comunidades e concluiu, em 2025, o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), etapa fundamental para o reconhecimento de seus direitos territoriais. Apesar desse avanço, a comunidade continua enfrentando desafios relacionados à presença de fazendeiros dentro da área reivindicada, além de conflitos provocados pelo desmatamento e pela invasão do território.
Nesse contexto, atividades como as oficinas de crochê e bonecas de pano assumem um papel estratégico no fortalecimento da organização comunitária e da permanência das famílias em seu território.



“Essas atividades têm contribuído para fortalecer e dar força para que as comunidades continuem lutando e permanecendo no território”, afirma Emília.
As comunidades de Aldeia Velha também estão articuladas ao Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM), que atua na defesa dos direitos territoriais, culturais e sociais dos povos quilombolas do estado.
Ao unir geração de renda, valorização cultural e fortalecimento comunitário, a iniciativa demonstra como os saberes tradicionais podem se transformar em ferramentas de resistência, cuidado e esperança para as mulheres e para todo o território.

