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Estudo realizado em parceria com a Quaest ouviu 15 mil pessoas em todo o país e apresenta um amplo retrato sobre fé, práticas religiosas, valores e participação na sociedade brasileira

O Instituto de Estudos da Religião (ISER) lançou a pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, um amplo levantamento que busca compreender não apenas a pertença religiosa da população brasileira, mas também como a fé, as práticas religiosas e as diferentes formas de espiritualidade se relacionam com valores, escolhas políticas, comportamentos cotidianos e participação na vida pública.

Realizada com execução de campo da Quaest, a pesquisa ouviu presencialmente 15 mil pessoas com 16 anos ou mais, em 412 municípios de todas as regiões do país, incluindo as 27 capitais e o Distrito Federal. O questionário reuniu 184 perguntas e abordou, entre outros temas, religião, práticas de fé, consumo de mídias digitais, comportamento político e características sociodemográficas.

Os dados mostram um cenário religioso marcado por mudanças e maior diversidade. Atualmente, 50% dos entrevistados se identificam como católicos, 29% como evangélicos e 14% afirmam não ter religião. A pesquisa também aponta que 23% dos brasileiros já trocaram de religião ao longo da vida, evidenciando trajetórias religiosas cada vez mais diversas. Entre as pessoas de 16 a 34 anos, o percentual de católicos é de 39%, enquanto entre brasileiros com 60 anos ou mais chega a 65%.

Apesar das transformações no pertencimento religioso, a fé permanece fortemente presente no cotidiano. Para 73% dos brasileiros, a Bíblia ou seus versículos são fonte de ensinamentos para a vida. A presença da religião também aparece no consumo cultural: 67% da população afirma consumir música gospel e 59%, filmes e séries de temática religiosa.

Fé, sociedade e política

Um dos aspectos centrais do levantamento é a relação entre religião e vida pública. Os resultados indicam que não existe uma correspondência automática entre pertencimento religioso e posicionamentos sobre questões sociais e políticas. Ao mesmo tempo em que 54% dos entrevistados se definem como conservadores e 24% como progressistas, a pesquisa registra, por exemplo, apoio de 78% à proteção dos povos indígenas.

Outro dado chama atenção para os limites que os próprios fiéis estabelecem entre religião e disputa político-partidária. Segundo resultados da pesquisa divulgados pelo ISER e repercutidos pela imprensa, oito em cada dez entrevistados rejeitam discussões políticas dentro dos espaços religiosos e nove em cada dez são contrários à presença de candidatos nesses locais para fins eleitorais.

O estudo também apresenta dados que ajudam a refletir sobre a diversidade e a liberdade religiosa no Brasil. Entre os entrevistados, 25% avaliam positivamente a diversidade religiosa brasileira e 49% se dizem indiferentes. Por outro lado, a pesquisa identifica a persistência de percepções negativas sobre as religiões afro-brasileiras, indicando a necessidade de atenção ao enfrentamento da intolerância e do racismo religioso.

Para o ISER, compreender essas diferentes trajetórias, práticas e formas de pertencimento é fundamental para entender as transformações vividas pela própria sociedade brasileira. A pesquisa procura observar não apenas onde as pessoas estão religiosamente, mas como circulam entre diferentes experiências de fé e de que maneira religião, raça, renda, gênero, escolaridade e posicionamento político se relacionam.

Os primeiros resultados da pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil” já estão disponíveis. O ISER informa que novos dados e análises serão divulgados, com a apresentação completa prevista para março de 2027.

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