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Estudo ouviu mais de 11 mil adolescentes e jovens de todas as regiões do país e apresenta dados sobre participação na Igreja, condições de vida, saúde, trabalho e consciência socioambiental.

Confira a pesquisa na íntegra aqui.

A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta os resultados da Pesquisa Nacional Evangelização da Juventude no Brasil – 2025, uma iniciativa que reuniu 11.498 adolescentes e jovens de diferentes regiões brasileiras. O levantamento oferece um panorama das experiências, expectativas e desafios enfrentados pelas juventudes, contribuindo para a construção de caminhos pastorais mais próximos de suas realidades.

Realizada entre maio e julho de 2025, a pesquisa contou com a colaboração do Observatório Juventudes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB) e do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

O estudo foi desenvolvido por meio de questionário on-line e contemplou 11 dimensões de análise, incluindo aspectos demográficos, educacionais, socioeconômicos, familiares, socioculturais, saúde integral, vulnerabilidades, projetos de vida, questões socioambientais e participação religiosa e pastoral.

Embora tenha alcançado participantes de todo o Brasil, a pesquisa utilizou uma amostra voluntária e não probabilística, formada predominantemente por jovens com alguma inserção na vida eclesial católica. Por isso, seus resultados devem ser compreendidos como um retrato dos participantes, e não como representação estatística de toda a juventude brasileira.

Juventudes e os desafios da realidade brasileira

Entre os resultados, a pesquisa aponta que 50,4% dos participantes conciliam estudo e trabalho, enquanto 45,8% vivem em famílias com renda mensal de até R$ 2.999. Os indicadores evidenciam a importância de considerar as condições concretas de vida dos jovens na construção de iniciativas de evangelização, acolhimento e acompanhamento pastoral.

A diversidade das realidades familiares, as desigualdades econômicas e raciais e as diferentes trajetórias de formação também aparecem no levantamento, reforçando a necessidade de uma ação pastoral que reconheça as particularidades dos territórios e as experiências vividas pelas juventudes.

Crise climática e consciência socioambiental

Um dos aspectos de destaque do estudo está relacionado à percepção dos jovens sobre as mudanças climáticas e ao compromisso com o cuidado ambiental.

Segundo a pesquisa, 71,5% dos participantes afirmam sentir os impactos das mudanças climáticas em suas próprias vidas. Outros 21,7% ainda não percebem diretamente esses efeitos, enquanto 6,8% declaram não acreditar que as mudanças climáticas estejam ocorrendo.

Apesar dessa percepção, os dados demonstram que a consciência ambiental nem sempre se transforma em ações cotidianas. Entre os entrevistados, 60,9% afirmam realizar algumas práticas de cuidado com o meio ambiente, mas reconhecem que precisam melhorar. Apenas 11,6% desenvolvem várias ações concretas, enquanto 27,5% declaram não adotar práticas de cuidado ambiental.

O levantamento também identifica desafios relacionados ao acesso à informação e à formação socioambiental. Somente 14,5% dos participantes afirmam buscar constantemente conhecimentos sobre essas questões. Outros 40,3% procuram informações ocasionalmente, enquanto 31,3% raramente se informam sobre o assunto.

Outro dado relevante diz respeito às desigualdades na percepção dos impactos ambientais. Entre aqueles que afirmam sentir os efeitos das mudanças climáticas, 53,8% são jovens negros, considerados os participantes autodeclarados pretos e pardos.

Os resultados demonstram a importância de relacionar o cuidado com o meio ambiente às condições sociais e econômicas das populações, reconhecendo que os impactos das transformações ambientais são vivenciados de maneiras diferentes.

Ecologia Integral e protagonismo juvenil

Para a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), os temas apresentados pelo levantamento dialogam com a missão de fortalecer a Ecologia Integral, a defesa da vida e o protagonismo das juventudes nos territórios amazônicos.

A realidade da Amazônia, marcada por desafios ambientais, sociais e territoriais, torna ainda mais importante a construção de espaços de escuta, formação e participação juvenil. Reconhecer os jovens como sujeitos ativos nos processos de transformação social é fundamental para promover iniciativas que integrem fé, justiça socioambiental e cuidado com a Casa Comum.

Nesse contexto, os resultados da pesquisa oferecem subsídios para reflexões sobre a participação das juventudes nas comunidades, o fortalecimento de redes de solidariedade e o desenvolvimento de práticas comprometidas com a preservação da vida e dos territórios.

Escuta e participação para construir novos caminhos

A Pesquisa Nacional Evangelização da Juventude no Brasil integra o processo de revisão do documento de Evangelização da Juventude da CNBB e busca contribuir para o planejamento de ações pastorais alinhadas às necessidades e esperanças das novas gerações.

Mais do que apresentar números, o estudo reafirma a importância de escutar as juventudes, compreender suas experiências e reconhecer sua contribuição para a vida da Igreja e da sociedade.

Para a REPAM-Brasil, essa reflexão também fortalece a necessidade de ampliar os espaços de participação juvenil, especialmente na Amazônia, onde o protagonismo das novas gerações é parte essencial da construção de caminhos de justiça, solidariedade e cuidado com a Casa Comum.

Fonte: Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB — Pesquisa Nacional: Evangelização da Juventude no Brasil – 2025. Relatório completo. Brasília, 2025.

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