Moradores se mobilizam para impedir o avanço das chamas, enquanto a fumaça compromete a qualidade do ar e agrava a situação das famílias que vivem nos territórios amazônicos.
As queimadas que atingem Santarém e outras regiões do oeste do Pará, neste mês de outubro, têm provocado preocupação entre as comunidades locais. O avanço do fogo sobre áreas de floresta, propriedades rurais e territórios tradicionais ameaça não apenas a biodiversidade amazônica, mas também as moradias, os roçados e os meios de subsistência de famílias que dependem diretamente da terra para viver.
A situação é especialmente preocupante ao longo da rodovia PA-370, onde incêndios de grandes proporções atingem áreas de vegetação e colocam comunidades em estado de alerta. Segundo informações compartilhadas por Francely Brandão de Souza, da Cáritas, moradores estão mobilizados para tentar impedir que as chamas alcancem suas casas e plantações.
Em meio à emergência, a resistência das comunidades revela uma realidade que vai além dos danos ambientais. Para muitas famílias, perder um roçado significa comprometer a produção de alimentos, a renda e o trabalho de meses. O fogo ameaça, portanto, a segurança alimentar, a permanência no território e os modos de vida construídos ao longo de gerações.
A gravidade da situação também é evidenciada pelo relato de Joseliane dos Santos Oliveira, integrante do movimento de mulheres, que registrou em vídeo os impactos das queimadas no território. As imagens mostram áreas de vegetação atingidas pelo fogo e ajudam a dimensionar os prejuízos ambientais enfrentados pelas comunidades.
O cenário se agrava com a estiagem prolongada, as altas temperaturas e a fumaça que encobre Santarém, comprometendo a qualidade do ar e ampliando os riscos à saúde da população, especialmente de crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
A crise evidencia as consequências da combinação entre eventos climáticos extremos, desmatamento, uso irregular do fogo e pressões sobre os territórios amazônicos. A floresta, fundamental para o equilíbrio climático do planeta, enfrenta um processo crescente de degradação que atinge diretamente aqueles que vivem nela e dela dependem.
Diante da gravidade dos incêndios, Santarém declarou situação de emergência em razão da estiagem, e o poder público solicitou reforço dos governos estadual e federal para ampliar as ações de prevenção e combate às queimadas.
Defesa da vida e dos territórios
Para a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), o enfrentamento dessa realidade exige mais do que medidas emergenciais. É fundamental fortalecer a proteção dos territórios, apoiar as comunidades atingidas, responsabilizar os envolvidos em crimes ambientais e garantir políticas públicas capazes de prevenir novas tragédias.
As queimadas não representam apenas a perda de vegetação. Elas ameaçam vidas, comprometem a produção de alimentos e aprofundam a vulnerabilidade de populações que já enfrentam os efeitos das mudanças climáticas e das disputas pelo uso da terra.
Em meio à destruição, a mobilização das comunidades para proteger suas casas, seus roçados e seus territórios também expressa resistência e esperança.
A REPAM-Brasil reafirma seu compromisso com a defesa da vida, dos povos amazônicos e da Casa Comum, somando sua voz à das comunidades que enfrentam diariamente os impactos da destruição ambiental.
Defender a Amazônia é defender as pessoas que nela vivem. E proteger seus territórios é garantir que a floresta e seus povos tenham futuro.

