A declaração oficial emitida pelos bispos da Amazônia brasileira alerta para a aceleração descontrolada da COVID-19 na região, evidenciando o colapso dos sistemas de saúde locais e a subnotificação generalizada provocada pela escassez de testes. O documento denuncia a precariedade estrutural dos municípios amazónicos no atendimento hospitalar e sublinha o risco acrescido a que estão expostas as populações vulneráveis — como povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas —, cujo papel é crucial na conservação da floresta.
Paralelamente, os bispos correlacionam a crise sanitária ao aumento alarmante do desmatamento, da grilagem e das atividades extrativistas, estimulados pela fragilização deliberada e instrumentalização de órgãos públicos de fiscalização. Diante de uma crise socioambiental e sanitária que ameaça a vida humana e o bioma, o episcopado formula um conjunto de exigências urgentes aos poderes públicos, solicitando a rejeição de medidas legislativas nocivas (como a MP 910/2019 e o PL 191/2020), o fortalecimento do SUS e a garantia de proteção integral aos territórios tradicionais.
