Realizado em Bogotá, encontro reuniu representantes das redes nacionais para fortalecer estratégias de segurança, prevenção de ameaças e defesa dos territórios amazônicos
A proteção da vida, dos territórios e das lideranças que atuam na defesa dos direitos humanos na Pan-Amazônia esteve no centro de um encontro promovido pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), entre os dias 29 e 31 de outubro de 2026, em Bogotá, na Colômbia.
A atividade reuniu lideranças religiosas, integrantes dos Núcleos de Direitos Humanos e representantes das secretarias das REPAMs nacionais para refletir sobre os desafios enfrentados por defensoras e defensores dos territórios amazônicos, especialmente diante do avanço da violência, das ameaças, da mineração, da grilagem de terras e de outras pressões sobre os povos e comunidades tradicionais.
O encontro também buscou fortalecer a articulação entre as redes nacionais, compartilhar experiências e construir estratégias coletivas de prevenção, proteção e resposta a situações de risco.
Para o Welington Lamburgini, participante do encontro, a discussão sobre a segurança das lideranças é urgente diante da conjuntura política e socioambiental da América Latina, marcada pelo avanço da extrema direita, pela exploração dos recursos naturais e pela fragilidade dos mecanismos de proteção dos direitos humanos.
A situação atinge especialmente lideranças indígenas, quilombolas, camponesas e extrativistas que atuam na defesa de seus territórios e enfrentam ameaças, criminalização e tentativas de expulsão de suas comunidades.
“Proteger essas lideranças é, de forma direta, também proteger a Amazônia”, destacou Wellington.
Segundo ele, a preservação da floresta está diretamente relacionada à permanência dos povos em seus territórios e ao fortalecimento de suas formas de organização e resistência.
“Qualquer avanço que retire esses povos, seja pela ameaça, seja pela expulsão, seja pela criminalização, é um retrocesso na proteção da Amazônia”, afirmou.
Wellington ressaltou ainda que a defesa dos direitos humanos não pode ser dissociada da proteção ambiental e dos princípios da ecologia integral, que orientam a atuação da REPAM.
A advogada Valdênia Aparecida Paulino, integrante do Núcleo de Direitos Humanos da REPAM-Brasil, também participou do encontro e destacou a importância de transformar as reflexões em ações concretas nos territórios.
Segundo Valdênia, a iniciativa surgiu de uma preocupação compartilhada entre as redes sobre como garantir a segurança de quem atua na linha de frente da defesa dos direitos humanos e da natureza.
“O encontro, na verdade, é uma resposta a um pedido anterior sobre a preocupação de como podemos cuidar de quem trabalha nos territórios, quem está na linha de frente”, explicou.
Durante a atividade, foram debatidas medidas de prevenção individuais e coletivas, protocolos de segurança, planejamento de intervenções diante de ameaças e a importância da articulação em rede como instrumento de proteção.
Para Valdênia, a construção de estratégias conjuntas representa um caminho fundamental para fortalecer a atuação das organizações e comunidades que enfrentam situações de vulnerabilidade.
“É muito importante cuidar de quem cuida, e pensar a proteção e segurança faz parte do cuidado da Casa Comum”, ressaltou.
Um dos principais encaminhamentos do encontro foi o compromisso de multiplicar os conhecimentos e as experiências compartilhadas em Bogotá, ampliando o alcance das estratégias de proteção junto às comunidades amazônicas.
De acordo com Valdênia, a REPAM-Brasil pretende buscar parcerias para promover oficinas e atividades formativas nos territórios onde atua, fortalecendo a capacidade de prevenção e resposta diante de situações de ameaça e violência.
“O compromisso da REPAM-Brasil é se organizar para que esse aprendizado possa ser levado para os territórios nos quais nós atuamos”, afirmou.
A advogada lembrou que a rede brasileira já desenvolve iniciativas relacionadas à proteção de defensoras e defensores, como a campanha A Vida por um Fio, além de trabalhar com protocolos de salvaguarda e orientações para atuação segura nos territórios.
O desafio agora é ampliar essas experiências, fortalecendo a participação das comunidades e consolidando estratégias que considerem as diferentes realidades da Pan-Amazônia.
O encontro reafirmou que a proteção das defensoras e dos defensores dos direitos humanos é parte essencial da missão da REPAM e de seu compromisso com a justiça socioambiental, a dignidade humana e o cuidado com a Casa Comum.
Em um contexto de intensificação dos conflitos territoriais e das ameaças aos povos amazônicos, a articulação entre organizações, comunidades e redes de solidariedade torna-se ainda mais necessária para garantir que as lideranças possam continuar seu trabalho com segurança.
Ao reunir experiências de diferentes países e realidades da Pan-Amazônia, a iniciativa reforça a importância da prevenção, da formação e da construção de redes de apoio capazes de responder coletivamente aos desafios enfrentados nos territórios.
Mais do que um espaço de reflexão, o encontro representou um passo no fortalecimento do compromisso da REPAM com a proteção da vida, dos povos e da floresta, reconhecendo que cuidar de quem defende a Amazônia é também assegurar o futuro da própria Amazônia.

